É tarde demais para muita coisa, eu sei. Eu descobri há muito.
Tarde demais, mesmo para conseguir ficar longe daqui: Casa de se esconder. Escuro de se acender.
E perto demais do chão. Perto demais dos pequenos monstros que desbravam o chão - imundo chão, impuro chão - do lugar em que vivo (sobrevivo).
Eu, também inseto kafkiano, on the floor.
Quase chorando.
Quase desistindo.
Esperando a noite passar,
o ano passar,
Esperando a vida passar com o mínimo de dor possível.
Missão: atravessar incólume e de olhos fechados o labirinto.
...
Mas se vocês estiverem aí, por favor, me toquem.
Não me deixem só. Por mais que eu queira ou precise.
Mostrando postagens com marcador Longe do Paraíso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Longe do Paraíso. Mostrar todas as postagens
domingo, 15 de março de 2009
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Arrependimentos brancos

Tenho pensado em flores, vivas e mortas.
E tenho pensado no caminho do sangue,
no meu corpo,
fora dele,
vivos e mortos, meu sangue e eu.
Tenho chorado pouco, sinal de que algo vai mal.
Alguma coisa está se acumulando e esperando a erupção: tragédia para quarta-feira de cinzas!
Essa semana e até lá, fico pensando: nas flores!
Flores sobre mim,
no meu enterro.
Daqui a pouco.
Daqui cem anos.
Quero flores brancas!
Da cor dos meus arrependimentos.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Um poema para a carência
Sabeis amigos, é importante: não é sempre que quero estar só.
Hoje, por exemplo, por uma tarde melancólica e densa de carência de não-sei-o-quê, veio, relâmpago, um poema (por falta de nome que o classifique) que traduz essa confissão.
Este vosso amigo está só e estará sempre, mas por momentos alguns, relâmpagos, desejaria entre os braços alguém que não existe e que ele não quer (ou não pode) conhecer.
O poema vai como veio, com as imperfeições dos arroubos, dos impulsos, e com a verdade (palavra temerária) de quem não corrige o texto para não correr o risco de dizer o que não sente. Ou para não correr o risco de sentir de novo o que escreveu.
Poema da carência (que passará)
Depois que o sol secar meu rosto,
Seu rosto,
Do mar que não tocamos,
Você, que não existe,
Eu que não quero existir,
Estaremos enfim, novamente
Resignados e sem medo de continuar.
Inconscientes um do outro,
Mas esperando...
A palavra.
O encontro.
A vontade de existir.
Eu em você.
Você em mim.
Antes de o mar molhar meu rosto,
Seu rosto,
Sem a garantia do sol protetor,
Você, que não me conhece,
Eu que não quero te conhecer
(porque sou estranho Adão)
Estaremos assim, plenamente,
Inconscientes um do outro,
Eufóricos e esperançosos.
Mas apenas
Esperando.
Hoje, por exemplo, por uma tarde melancólica e densa de carência de não-sei-o-quê, veio, relâmpago, um poema (por falta de nome que o classifique) que traduz essa confissão.
Este vosso amigo está só e estará sempre, mas por momentos alguns, relâmpagos, desejaria entre os braços alguém que não existe e que ele não quer (ou não pode) conhecer.
O poema vai como veio, com as imperfeições dos arroubos, dos impulsos, e com a verdade (palavra temerária) de quem não corrige o texto para não correr o risco de dizer o que não sente. Ou para não correr o risco de sentir de novo o que escreveu.
Poema da carência (que passará)
Depois que o sol secar meu rosto,
Seu rosto,
Do mar que não tocamos,
Você, que não existe,
Eu que não quero existir,
Estaremos enfim, novamente
Resignados e sem medo de continuar.
Inconscientes um do outro,
Mas esperando...
A palavra.
O encontro.
A vontade de existir.
Eu em você.
Você em mim.
Antes de o mar molhar meu rosto,
Seu rosto,
Sem a garantia do sol protetor,
Você, que não me conhece,
Eu que não quero te conhecer
(porque sou estranho Adão)
Estaremos assim, plenamente,
Inconscientes um do outro,
Eufóricos e esperançosos.
Mas apenas
Esperando.
sábado, 17 de janeiro de 2009
Coisas que eu sou, mesmo não entendendo.
Eu queria deixar as coisas encantadas me tocarem, me dizer mentiras e me fazer sofrer.
Mas sou frágil.
Talvez por isso o meu apreço por pedras.
As pedras - coisas em princípio inabáláveis- são o meu desejo de existência.
Queria ser uma pedra em que as palavras e as vontades não penetrassem.
Mas tudo reverbera em mim com uma força arrebatadora, que me deixa pesado (me deixa deserto) por dias. Imagine só se eu fosse mais de um!
Se resignado à solidão cada coisa ínfima é capaz de me lançar noite adentro, imagina só se me tivesse alguém do lado!
Minha estranheza de Adão não é uma coisa egoísta, muito ao contrário. É pela paz de alguém que eu atravesso sozinho essa sala.
Perdão a esse alguém que, eventualmente e sem nehuma explicação lógica, fosse capaz de me abraçar à noite, e dormir comigo, mesmo sabendo que eu só devolveria silêncio e quem sabe até um pouco de ódio.
Tenho presa dentro de mim uma capacidade imensa de amar. É porque ela é muito grande que eu me assusto tanto.
Mas quero que saibam que eu poderia ser infinito, se não fosse o meu primeiro passo direto para o abismo.
É para não morrer que não amo.
É para não magoar que não amo.
É para não amar que escrevo.
Vou seguir até onde der. Sem paz. Sem nada.
Mas sou frágil.
Talvez por isso o meu apreço por pedras.
As pedras - coisas em princípio inabáláveis- são o meu desejo de existência.
Queria ser uma pedra em que as palavras e as vontades não penetrassem.
Mas tudo reverbera em mim com uma força arrebatadora, que me deixa pesado (me deixa deserto) por dias. Imagine só se eu fosse mais de um!
Se resignado à solidão cada coisa ínfima é capaz de me lançar noite adentro, imagina só se me tivesse alguém do lado!
Minha estranheza de Adão não é uma coisa egoísta, muito ao contrário. É pela paz de alguém que eu atravesso sozinho essa sala.
Perdão a esse alguém que, eventualmente e sem nehuma explicação lógica, fosse capaz de me abraçar à noite, e dormir comigo, mesmo sabendo que eu só devolveria silêncio e quem sabe até um pouco de ódio.
Tenho presa dentro de mim uma capacidade imensa de amar. É porque ela é muito grande que eu me assusto tanto.
Mas quero que saibam que eu poderia ser infinito, se não fosse o meu primeiro passo direto para o abismo.
É para não morrer que não amo.
É para não magoar que não amo.
É para não amar que escrevo.
Vou seguir até onde der. Sem paz. Sem nada.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Sétimo círculo do inferno, 2° recinto
Os suicidas se transformarão em árvores.
Quanto tempo resistirei a meu antibucolismo?
Meu maldito hábito de transigir à covardia,- fico esperando um sinal para o não e o mundo dizendo "vai, brother, pode pular".
A frágil linha - pela qual atravesso o precipício - hoje, por motivos vários, ameaça o rompimento.
Esse mal é coisa de criança que mantém os olhos abertos, sujeitos às surpresas ( ficar adulto, é pra mim, nada mais do que fechar os olhos ).
Fui tentar ajudar uma criança a fechar os olhos e acabei abrindo os meus (ensaio sobre a visão).
Fiquei denso e triste. Meio com medo.
Esvaziar aqui foi pra substituir as outras alternativas.
Desculpem os amigos, e não se preocupem. Nada vai acontecer, deve ser porque deixei de assistir televisão.
Quanto tempo resistirei a meu antibucolismo?
Meu maldito hábito de transigir à covardia,- fico esperando um sinal para o não e o mundo dizendo "vai, brother, pode pular".
A frágil linha - pela qual atravesso o precipício - hoje, por motivos vários, ameaça o rompimento.
Esse mal é coisa de criança que mantém os olhos abertos, sujeitos às surpresas ( ficar adulto, é pra mim, nada mais do que fechar os olhos ).
Fui tentar ajudar uma criança a fechar os olhos e acabei abrindo os meus (ensaio sobre a visão).
Fiquei denso e triste. Meio com medo.
Esvaziar aqui foi pra substituir as outras alternativas.
Desculpem os amigos, e não se preocupem. Nada vai acontecer, deve ser porque deixei de assistir televisão.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Ao sabor do vinho e das confissões...
Começei hoje minha coleção de pedras.
Talvez pela sensação das coisas concretas.
De coisas sem vazio dentro de si.
Pela vontade de possuir contornos diferentes.
As primeiras são três e vieram de um rio que passou hoje à tarde.
E posso dizer que tive uma tarde/noite Mastroianni (agradecendo ao JP Cuenca o termo para o indefinível!).
Não foi bem felicidade o que senti. Felicidade é uma coisa mais rara e pesada do que minhas pedras. Foi um curso intensivo de liberdade.
Me acompanhavam nessa tarde outras três pedras - Danilo, Sara e Geisa - que cuidaram de me ensinar, entre outras coisas (polêmicas e/ou impublicáveis) que:
- Emoção é emoção. Razão é apenas falta de emoção. (Esta vai para a série de coisas que eu não acho, mas são!)
De modo que eu cheguei em casa suado, cheio de areia, levemente embriagado e sem nenhum sono. Liguei, autômato, imediatamente, a caixa mágica onde todos guardam tudo (onde guardo minha estranheza de Adão) e fiquei por minutos calado, os olhos vagos. Até que nesta minha boca nasceram as bactérias, as flores, as poesias (essas frases que não me entendem).
Eu, cuja maior coisa que fizera antes do reveillon tinha sido lavar a louça de dias, descobri, encantadora e repentinamente, meu imenso apreço por pedras:
pedras-fatos
pedras-objeto
pedras de lugares onde estive
e, principalmente, pedras-pessoas.
Talvez pela sensação das coisas concretas.
De coisas sem vazio dentro de si.
Pela vontade de possuir contornos diferentes.
As primeiras são três e vieram de um rio que passou hoje à tarde.
E posso dizer que tive uma tarde/noite Mastroianni (agradecendo ao JP Cuenca o termo para o indefinível!).
Não foi bem felicidade o que senti. Felicidade é uma coisa mais rara e pesada do que minhas pedras. Foi um curso intensivo de liberdade.
Me acompanhavam nessa tarde outras três pedras - Danilo, Sara e Geisa - que cuidaram de me ensinar, entre outras coisas (polêmicas e/ou impublicáveis) que:
- Emoção é emoção. Razão é apenas falta de emoção. (Esta vai para a série de coisas que eu não acho, mas são!)
De modo que eu cheguei em casa suado, cheio de areia, levemente embriagado e sem nenhum sono. Liguei, autômato, imediatamente, a caixa mágica onde todos guardam tudo (onde guardo minha estranheza de Adão) e fiquei por minutos calado, os olhos vagos. Até que nesta minha boca nasceram as bactérias, as flores, as poesias (essas frases que não me entendem).
Eu, cuja maior coisa que fizera antes do reveillon tinha sido lavar a louça de dias, descobri, encantadora e repentinamente, meu imenso apreço por pedras:
pedras-fatos
pedras-objeto
pedras de lugares onde estive
e, principalmente, pedras-pessoas.
Assinar:
Postagens (Atom)
